Música é algo que
me completa. Algumas lidam comigo muito melhor que certas pessoas, e
me devolvem muito daquilo que o meu corpo e espírito
necessitam.
Lembro uma cena que presenciei há dias, junto
à Catedral de Goiânia, na minha habitual passagem diária, ora com
Frida e Fred, ora indo à farmácia.
Um casal de jovens
encontrava-se sentado na esquina, em frente a farmácia: mochilas
pousadas no chão, estojo de um instrumento musical pousado ao
lado.
Chamou-me a atenção pela forma curiosa que olhavam
cada um que passava.
Continuei o meu caminho mas antes de
chegar à farmácia um som fez-me parar.
Por instantes,
detive-me a ouvir de que local viria o som, até que compreendi que
vinha do jovem casal. Fiquei ali. Não conhecia a música, nem me
lembro de a ter ouvido alguma vez, mas a sua harmonia, percorreu
todas as células do meu corpo.
Ele tocava e ela
olhava-o, carinhosamente.
E eu encostada à parede da
farmácia a ouvi-lo tocar...
Não sei quanto tempo passou
de sinal fechado, mas a música chegava a comover. Fechei os olhos e
deixei-me estar ali esquecida de tudo. Quando a música parou, olhei
em volta: outros dois jovens desenhavam o jovem tocador. A jovem me
sorriu timidamente. Retribui-lhe o sorriso e segui o meu caminho
para o interior da farmácia.
Há momentos mágicos que
nunca poderão ser transcritos completamente.
Naquele dia
vivi um desses momentos.

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