Esta foi a data que descobri que ele havia partido para o outro plano. Descobri quando, ao deixar cair um livro no chão, uma carta e um telegrama se soltaram. Acredito que era ele em avisando que hoavia partido há três anos.
Fiquei meio atordoada e escrevi o que li e deveria ter dito.
Compartilho aqui.
7/10
Era uma vez uma moça que no amor sempre fez escolhas erradas. Nunca acertou. Mas pelo menos umas duas vezes foi amada e desamou. Não cabe agora contar as razões porque desamou, até porque não existem razões. Amor desacontece. E hoje voltaram às mãos da moça, não tão mais moça assim, cartas de amor a ela dirigidas e uma poesia.Ele sempre a chamava de Ciganinha do Cerrado ou Flor do Cerrado. Uma das cartas era de despedida. " Eu ainda estranho a maneira como terminamos, ou melhor, como você terminou. Acho que nós vivemos uma história de amor que, se não foi perfeita, pelo menos foi muito bonita, em função do carinho, da lealdade, compreensão, enfim, por muitos motivos e que por isso , não deveria ter terminado como terminou, deixando mágoas...Sempre soube que um dia iria acabar, em função da minha ausência.Nenhum amor sobrevive dessa maneira, por mais paixão que possa haver... Quando em uma ocasião eu te disse que havia te perdido, você me pediu para tentar te achar de novo...eu havia descoberto o quanto te amava, talvez movido pela possibilidade de te perder. Eu sei que foi um erro ou até falta de sensibilidade, talvez burrice demorar tanto para perceber o quanto te amava, porém fui homem bastante para reconhecer o erro e confessar para você o meu amor. Infelizmente foi tarde demais... Só sei que quanto mais eu penso mais dói e menos eu entendo...Tenho também a certeza e a sensação que ainda iremos nos encontrar um dia, mesmo que não nesse plano espiritual, só para que eu possa te dizer mais uma vez, eu te amo!"
" O sol aquece e ilumina o Cerrado
A flor mais linda floresce na planície
Meiga e perfumada, solitária delicada,
Embeleza com sua pureza e vai vivendo o seu legado.
O sol alimenta mas castiga a linda flor.
Frágil, até aparenta pra quem não a conhece,
Imagina que aquela meiguice se enfraquece
E sob o sol do Cerrado vai sucumbir ao calor.
Mal sabe que a linda flor tem muito a dar do seu amor.
De tanto sofrimento, por vezes desanima.
Se imagina solitária, procura por companhia.
Quer dividir seu calor, sua tristeza, seu amor
Porém sua beleza supera qualquer tristeza,
Sua bondade desafia as agruras da Natureza.
Quem sabe um dia eu consiga almejar,
Que a frieza da minha distância
Se transforme em esperança
E ao lado da Flor do Cerrado
Meu coração eu possa plantar"
A flor mais linda floresce na planície
Meiga e perfumada, solitária delicada,
Embeleza com sua pureza e vai vivendo o seu legado.
O sol alimenta mas castiga a linda flor.
Frágil, até aparenta pra quem não a conhece,
Imagina que aquela meiguice se enfraquece
E sob o sol do Cerrado vai sucumbir ao calor.
Mal sabe que a linda flor tem muito a dar do seu amor.
De tanto sofrimento, por vezes desanima.
Se imagina solitária, procura por companhia.
Quer dividir seu calor, sua tristeza, seu amor
Porém sua beleza supera qualquer tristeza,
Sua bondade desafia as agruras da Natureza.
Quem sabe um dia eu consiga almejar,
Que a frieza da minha distância
Se transforme em esperança
E ao lado da Flor do Cerrado
Meu coração eu possa plantar"
Hoje a moça, não tão mais moça, descobriu que ele partiu em 26/02/2015.Talvez um dia a tenha visitado em sonhos ou partilhado um uísque que ela bebia do modo que ele a ensinou. Talvez em outra vida a moça, não tão mais moça, aprenda a amar e manter o amor. Saudade, FRN. Arrependimento.
18/10
Eu deveria amarrar as mãos nas costas para não escrever as palavras erradas.
O perigo é esse: voltar a esquecer-me de você e numa noite qualquer, sonolenta, tropeçar na presença da sua ausência.
Não quero ser acusada do crime de silenciar sua memória.
Ainda que os seus dedos não estejam mais ao alcance dos meus, ainda que eu nunca tivesse dito que seus olhos verdes me iluminavam todos os minutos com esperança, ainda assim me abro, com terno desespero, como uma rua ladrilhada, não de pedrinhas de brilhantes, mas de poesias em sua memória.
Nessa rua todas as casas terão seu nome, para que ninguém que o conheça possa perdê-lo como eu o perdi.
Se pudesse iria buscá-lo no vento, porque sou nada e tudo é pouco para abraçar o impossível e esconder as minhas dores.
Com as palavras que me saltam da pele, guardo nossa história na gaveta do coração, porque posso dizer que tenho um coração na gaveta e também um buraco no coração.
Não falarei mais de você até o reencontro em outra esfera, em outra estrela.
Vá em paz. Ficarei em paz.
O perigo é esse: voltar a esquecer-me de você e numa noite qualquer, sonolenta, tropeçar na presença da sua ausência.
Não quero ser acusada do crime de silenciar sua memória.
Ainda que os seus dedos não estejam mais ao alcance dos meus, ainda que eu nunca tivesse dito que seus olhos verdes me iluminavam todos os minutos com esperança, ainda assim me abro, com terno desespero, como uma rua ladrilhada, não de pedrinhas de brilhantes, mas de poesias em sua memória.
Nessa rua todas as casas terão seu nome, para que ninguém que o conheça possa perdê-lo como eu o perdi.
Se pudesse iria buscá-lo no vento, porque sou nada e tudo é pouco para abraçar o impossível e esconder as minhas dores.
Com as palavras que me saltam da pele, guardo nossa história na gaveta do coração, porque posso dizer que tenho um coração na gaveta e também um buraco no coração.
Não falarei mais de você até o reencontro em outra esfera, em outra estrela.
Vá em paz. Ficarei em paz.
21/10

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