terça-feira, 30 de outubro de 2018


A maior viagem que podemos fazer na vida é de nós mesmos, ao longo do tempo em que estamos neste plano. Percorremos todas as tonalidades do nosso caráter, as escuras, as cinzentas, as claras e seus matizes. Conhecemos o pior e o melhor de nós, o que pensamos, sentimos, agimos, amamos e odiamos...
Quando nos deixamos ir, o nosso caminho revela-se com nitidez e os passos são decididos. Quando abandonamos o caminho, há sempre maneira de voltarmos a ele, mais tarde ou mais cedo, quer queiramos, quer não.
Todos os dias fazemos opções, escolhemos alternativas dos segundos que podem vir a preencher o nosso futuro, e desenhamos uma estrada que se vai perfilando no tempo e no espaço, que preenchemos como se um bordado fosse. Completamos espaços vazios, desmanchamos pontos de espaços já preenchidos e crescemos. diferentes do que éramos ontem, e preparamo-nos para o amanhã, conscientemente, inconscientemente...
Quando percebemos que estamos no nosso caminho, conscientes dele, o proveito que tiramos de tudo é mais intenso, mais colorido, faz mais sentido.
Há um belo poema de José Régio, Cãntico Negro, que termina assim:
“Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Atrevo-me a responder, dirigindo-me ao meu caminho: não sei por onde me leva, mas sei que quero ir por aí, pois é mais quente, mais tranquilo e faz-me sorrir...

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