A maior viagem que
podemos fazer na vida é de nós mesmos, ao longo do tempo em que
estamos neste plano. Percorremos todas as tonalidades do nosso
caráter, as escuras, as cinzentas, as claras e seus
matizes. Conhecemos o pior e o melhor de nós, o que pensamos,
sentimos, agimos, amamos e odiamos...
Quando nos deixamos
ir, o nosso caminho revela-se com nitidez e os passos são decididos.
Quando abandonamos o caminho, há sempre maneira de voltarmos a ele,
mais tarde ou mais cedo, quer queiramos, quer não.
Todos os dias
fazemos opções, escolhemos alternativas dos segundos que podem vir
a preencher o nosso futuro, e desenhamos uma estrada que se vai
perfilando no tempo e no espaço, que preenchemos como se um bordado
fosse. Completamos espaços vazios, desmanchamos pontos de espaços
já preenchidos e crescemos. diferentes do que éramos ontem, e
preparamo-nos para o amanhã, conscientemente, inconscientemente...
Quando percebemos
que estamos no nosso caminho, conscientes dele, o proveito que
tiramos de tudo é mais intenso, mais colorido, faz mais sentido.
Há um belo poema de
José Régio, Cãntico Negro, que termina assim:
“Não sei por onde
vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”
Atrevo-me a
responder, dirigindo-me ao meu caminho: não sei por onde me leva,
mas sei que quero ir por aí, pois é mais quente, mais tranquilo e
faz-me sorrir...

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